Estudos recentes trazidos para o Brasil por pesquisadores espanhóis ilustram as iniciativas públicas no campo da alfabetização em informação, assumidas pela Comunidade Européia a fim de minimizar os problemas recorrentes da exclusão digital bem como as boas práticas para a promoção da inclusão digital nos países dessa comunidade. Cabe-nos aqui registrar que esta análise toma como exemplo a Espanha, por ser um país com atividades voltadas para a alfabetização da informação.
Além disso, entre os países ibero-americanos, a Espanha ocupa hoje a quarta colocação no ranking Digital Access Index (DAI), da International Telecommunication Union(ITU), ultrapassando inclusive Portugal, país de língua portuguesa e a quem o Brasil estaria mais proximamente ligado por essa facilidade. Dessa forma, propiciando investimentos em Tecnologias para a Informação e para a Comunicação para sua população, a Espanha avança, consideravelmente, podendo servir de parâmetro para que o Brasil obtenha êxito maior em seus programas de inclusão digital no que tange à união da alfabetização em informação com a comunicação, esta, por meio dos instrumentos midiáticos ligados à web, a exemplo do jornalismo on line e seus produtos convergentes.
Para congregar grande parte das políticas para inclusão digital da sociedade, a Comunidade Européia lançou, em dezembro de 1999, um programa denominado eEurope, uma iniciativa política que objetiva afetar a todas as camadas sociais da Sociedade da Informação naquele continente como uma espécie de acelerador de políticas de alto nível, concentrando sete prioridades: banda larga, negócios, administração, saúde, inclusão, aprendizagem e segurança.Do mesmo programa também surgiu, em julho de 2003, um novo Marco Regulador das Comunicações Eletrônicas para a Europa, considerado como um dos melhores marcos jurídicos da atualidade para a continuidade do desenvolvimento da indústria, incentivando competências produtivas, gerando conhecimento e protegendo os interesses da população e usuários.
Desde então, todos os esforços dirigidos ao desenvolvimento das tecnologias para a informação, educação e comunicação na comunidade européia estão condensados no eEurope, que em seu Relatório Anual de 2007 sobre a Sociedade da informação apresenta um balanço dos resultados das tarefas realizadas até o momento pelo conjunto de países, bem como lança as estratégias para o i2010, “uma iniciativa da Comissão para as políticas da sociedade da informação e dos meios de comunicação social. [...]A iniciativa i2010 intervém num contexto caracterizado pela rápida mudança, exigindo, por conseguinte, actualizações e acertos regulares”.
Os números divulgados em janeiro de 2007 pelo Fórum Econômico Mundial (World Economic Forum – WEF, 2007), confirmam resultados favoráveis ao que analisa a Comunidade Européia, onde encontramos os seguintes percentuais de acesso às tecnologias para informação e comunicação referentes aos países da comunidade européia e demais países do mundo: a Suécia assume a liderança com 0,85% de índice de acesso digital, seguida da Dinamarca, com 0,83% e da Islândia e Coréia, ambas com 0,82%. Ainda entre os países com altos índices estão a Inglaterra, com 0,77% e França com 0,72%. A Espanha e Portugal, despontam no ranking dos países com índices acima da média mundial, com 0,67% e 0,65% respectivamente, ficando para o Brasil com 0,50%, ocupando as últimas colocações junto com o México, Rússia e Ilhas Maurícius.
Cabe ressaltar que os indicadores do Fórum abrangem 181 países e têm por base categorias estabelecidas em 2003, pela ITU, entidade das Nações Unidas, que apontou quatro vetores para avaliação do índice de uso e acesso digital, DAI, que abrange os quesitos de infra-estrutura, acessibilidade, conhecimento, qualidade e uso das TIC. Como percebemos, as variáveis e indicadores que norteiam o ITU foram elaboradas a fim de proporcionarem resultados numéricos referentes aos conceitos sociais, econômicos, culturais e tecnológicos em evolução no mundo.
Cabe-nos ainda ressaltar o conjunto dos índices também observados no Information Society Index (ISI), que avalia, em 52 países, 15 variáveis ligadas ao uso de computadores, acesso, usabilidade e utilização da Internet, infra-estrutura das telecomunicações e variáveis sociais em torno da sociedade como um todo de cada um desses espaços globais. O alinhamento de propostas para unir a alfabetização em informação às práticas de comunicação deve ser buscado junto com o fim da desigualdade social, a conectividade e acessibilidade para todos os indivíduos, famílias e comunidades.
Objetivando o aumento das habilidades e riquezas futuras, temos a alfabetização em informação é definida como a capacidade de compreensão e um conjunto de habilidades, que possibilitam ao indivíduo reconhecer quando necessita de alguma informação, podendo localizá-la e utilizá-la de forma eficaz. Uma pessoa capaz de localizar e utilizar a informação desejada deve ter habilidade para reconhecer uma necessidade informacional; determinar qual a dimensão da informação que necessita; localizá-la com eficiência; avaliar a informação e suas fontes; incorporar a informação selecionada à sua própria base de conhecimentos; utilizar a informação de maneira eficaz para realizar tarefas específicas; compreender a problemática econômica, legal e social em torno do uso da informação; ter acesso à informação, utilizando-a de forma ética e legal; classificar, organizar, manipular e reelaborar a informação obtida ou gerada; e reconhecer o processo de Alfabetização em Informação como pré-requisito para a aprendizagem ao longo da vida.
Sendo assim, os recursos midiáticos chegam para auxiliar no processo de aceleração dessa estratégia. A ação comunicativa viabilizada pelo jornalismo on line e suas demais atividades relacionadas ao áudio, ao vídeo e à imagem, convergem para a produção de conteúdos de forma livre e alternativa, tendo as orientações da comunicação comunitária como propulsoras de boas práticas extensionistas entre a Universidade e a Comunidade, aproximando as técnicas das práticas inclusivas, formando cidadãos mais conscientes e participativos do processo comunicacional frente aos desafios tecnológicos que nos esperam em 2010.
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