segunda-feira, 10 de março de 2008

Informar, educar, comunicar e incluir: uma mistura que pode dar certo

Estamos acompanhando com muito interesse os movimentos feitos pelo Governo Federal em prol das Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC’s). Temos observado também o número de iniciativas da sociedade civil em promover, cada vez mais, a inclusão digital das comunidades. E as oficinas do Programa Governo Eletrônico Serviço de Atendimento ao Cidadão (GESAC), do Ministério das Comunicações, são provas desse movimento.

As Oficinas de Conhecimentos Livres dos Pontos GESAC integram participantes de diversos municípios de todos os Estados brasileiros e também qualifica o cidadão para alçar outros vôos rumo à tão sonhada inclusão digital. Recentes pesquisas divulgadas pelo IBOPE em parceria com outras instituições revelam-nos que o Brasil é o quarto país do mundo em venda de computadores e que 37 milhões de pessoas acessaram a Internet no último semestre, quase quatro milhões a mais que no ano passado.

Ainda segundo a pesquisa, os três primeiros lugares entre os motivos de acesso no primeiro semestre deste ano estão a Comunicação, envio de e-mails e participação em sites de relacionamento; a Informação e a Educação, com pesquisas de escolas e buscas diversas; e o Comércio Eletrônico, motivado pelo e-commerce, todos considerados estímulos aos programas de inclusão digital no Brasil.

Outra pesquisa recente, dessa vez divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aponta que, nos últimos cinco anos, houve uma forte aceleração na inclusão digital no Brasil. No Nordeste, os índices encontram-se em 5,54%. Nesse contexto, na média dos estados nordestinos, a Paraíba e o Rio Grande do Norte dividem 4,72% entre os incluídos digitalmente. Eles ficam à frente somente do Maranhão, último da lista, com 4,7% de acesso à Internet por domicílios. Sergipe desponta com 5,54%, deixando para traz os Estados do Piauí, com 5,11% e da Bahia, com 5,07%, conforme os dados do Comitê Gestor da Internet (CGI) para 2007.

Em outubro do ano passado, o Ministério das Comunicações, confirmou que iniciaria em novembro, a distribuição de kits de informática aos municípios brasileiros por intermédio do Programa de Inclusão Digital. E conforme anunciou o Ministério das Comunicações, os municípios brasileiros inscritos no Edital serão contemplados com a distribuição e instalação gratuita de 10 computadores com acesso a banda larga via satélite, uma câmera de vídeo para monitoramento, estabilizadores, uma impressora a laser, um datashow, um televisor de 29 polegadas e um aparelho de DVD.

Finalmente, acrescentamos a estes dados os números do Mapa de Inclusão Digital do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT). Na Fase I da pesquisa do IBICT realizada em cerca de três mil municípios brasileiros, foram identificadas 108 iniciativas de inclusão digital no âmbito dos governos federal, estadual, municipal e terceiro setor. Dos 16.722 Pontos de Inclusão Digital (PID’s) em funcionamento no Brasil, apenas 308 estão na Paraíba.

A partir deste cenário, acreditamos que os paraibanos têm pela frente um grande desafio: evoluir os percentuais de inclusão a cada ano, qualificando seus jovens e oportunizando o acesso ao software livre. Entendemos que o acesso gratuito às TIC’s, o investimento público associado à vontade política inerente aos governos e a educação voltada para modelos de alfabetização em informação e em comunicação, venham a ser as metas de Governo. A inclusão dos jovens e das comunidades excluídas é inerente à sociedade da informação e do conhecimento. Espero que nosso país saiba acumular suas experiências exitosas, afinal, o Brasil tem dado prova ao restante do mundo que está na marola do desenvolvimento e da inovação.

Alfabetização em informação para comunicar no mundo da inclusão

Estudos recentes trazidos para o Brasil por pesquisadores espanhóis ilustram as iniciativas públicas no campo da alfabetização em informação, assumidas pela Comunidade Européia a fim de minimizar os problemas recorrentes da exclusão digital bem como as boas práticas para a promoção da inclusão digital nos países dessa comunidade. Cabe-nos aqui registrar que esta análise toma como exemplo a Espanha, por ser um país com atividades voltadas para a alfabetização da informação.

Além disso, entre os países ibero-americanos, a Espanha ocupa hoje a quarta colocação no ranking Digital Access Index (DAI), da International Telecommunication Union(ITU), ultrapassando inclusive Portugal, país de língua portuguesa e a quem o Brasil estaria mais proximamente ligado por essa facilidade. Dessa forma, propiciando investimentos em Tecnologias para a Informação e para a Comunicação para sua população, a Espanha avança, consideravelmente, podendo servir de parâmetro para que o Brasil obtenha êxito maior em seus programas de inclusão digital no que tange à união da alfabetização em informação com a comunicação, esta, por meio dos instrumentos midiáticos ligados à web, a exemplo do jornalismo on line e seus produtos convergentes.

Para congregar grande parte das políticas para inclusão digital da sociedade, a Comunidade Européia lançou, em dezembro de 1999, um programa denominado eEurope, uma iniciativa política que objetiva afetar a todas as camadas sociais da Sociedade da Informação naquele continente como uma espécie de acelerador de políticas de alto nível, concentrando sete prioridades: banda larga, negócios, administração, saúde, inclusão, aprendizagem e segurança.Do mesmo programa também surgiu, em julho de 2003, um novo Marco Regulador das Comunicações Eletrônicas para a Europa, considerado como um dos melhores marcos jurídicos da atualidade para a continuidade do desenvolvimento da indústria, incentivando competências produtivas, gerando conhecimento e protegendo os interesses da população e usuários.

Desde então, todos os esforços dirigidos ao desenvolvimento das tecnologias para a informação, educação e comunicação na comunidade européia estão condensados no eEurope, que em seu Relatório Anual de 2007 sobre a Sociedade da informação apresenta um balanço dos resultados das tarefas realizadas até o momento pelo conjunto de países, bem como lança as estratégias para o i2010, “uma iniciativa da Comissão para as políticas da sociedade da informação e dos meios de comunicação social. [...]A iniciativa i2010 intervém num contexto caracterizado pela rápida mudança, exigindo, por conseguinte, actualizações e acertos regulares”.

Os números divulgados em janeiro de 2007 pelo Fórum Econômico Mundial (World Economic Forum – WEF, 2007), confirmam resultados favoráveis ao que analisa a Comunidade Européia, onde encontramos os seguintes percentuais de acesso às tecnologias para informação e comunicação referentes aos países da comunidade européia e demais países do mundo: a Suécia assume a liderança com 0,85% de índice de acesso digital, seguida da Dinamarca, com 0,83% e da Islândia e Coréia, ambas com 0,82%. Ainda entre os países com altos índices estão a Inglaterra, com 0,77% e França com 0,72%. A Espanha e Portugal, despontam no ranking dos países com índices acima da média mundial, com 0,67% e 0,65% respectivamente, ficando para o Brasil com 0,50%, ocupando as últimas colocações junto com o México, Rússia e Ilhas Maurícius.

Cabe ressaltar que os indicadores do Fórum abrangem 181 países e têm por base categorias estabelecidas em 2003, pela ITU, entidade das Nações Unidas, que apontou quatro vetores para avaliação do índice de uso e acesso digital, DAI, que abrange os quesitos de infra-estrutura, acessibilidade, conhecimento, qualidade e uso das TIC. Como percebemos, as variáveis e indicadores que norteiam o ITU foram elaboradas a fim de proporcionarem resultados numéricos referentes aos conceitos sociais, econômicos, culturais e tecnológicos em evolução no mundo.

Cabe-nos ainda ressaltar o conjunto dos índices também observados no Information Society Index (ISI), que avalia, em 52 países, 15 variáveis ligadas ao uso de computadores, acesso, usabilidade e utilização da Internet, infra-estrutura das telecomunicações e variáveis sociais em torno da sociedade como um todo de cada um desses espaços globais. O alinhamento de propostas para unir a alfabetização em informação às práticas de comunicação deve ser buscado junto com o fim da desigualdade social, a conectividade e acessibilidade para todos os indivíduos, famílias e comunidades.

Objetivando o aumento das habilidades e riquezas futuras, temos a alfabetização em informação é definida como a capacidade de compreensão e um conjunto de habilidades, que possibilitam ao indivíduo reconhecer quando necessita de alguma informação, podendo localizá-la e utilizá-la de forma eficaz. Uma pessoa capaz de localizar e utilizar a informação desejada deve ter habilidade para reconhecer uma necessidade informacional; determinar qual a dimensão da informação que necessita; localizá-la com eficiência; avaliar a informação e suas fontes; incorporar a informação selecionada à sua própria base de conhecimentos; utilizar a informação de maneira eficaz para realizar tarefas específicas; compreender a problemática econômica, legal e social em torno do uso da informação; ter acesso à informação, utilizando-a de forma ética e legal; classificar, organizar, manipular e reelaborar a informação obtida ou gerada; e reconhecer o processo de Alfabetização em Informação como pré-requisito para a aprendizagem ao longo da vida.

Sendo assim, os recursos midiáticos chegam para auxiliar no processo de aceleração dessa estratégia. A ação comunicativa viabilizada pelo jornalismo on line e suas demais atividades relacionadas ao áudio, ao vídeo e à imagem, convergem para a produção de conteúdos de forma livre e alternativa, tendo as orientações da comunicação comunitária como propulsoras de boas práticas extensionistas entre a Universidade e a Comunidade, aproximando as técnicas das práticas inclusivas, formando cidadãos mais conscientes e participativos do processo comunicacional frente aos desafios tecnológicos que nos esperam em 2010.